Gente que faz em Iporã – Terra de Peão

Família Padovani, uma sociedade que deu certo: Sergio, Marli, Débora e Leonardo

Da produção inicial de três calças na garagem de casa até se tornar uma das mais importantes produtoras de moda country do Brasil, a trajetória da marca TERRA DE PEÃO, se confunde com a visão arrojada e a história do empresário Sergio Padovani. Mas, como ele mesmo salienta, “este sucesso não ocorre por acaso. Compreender a dinâmica deste complexo mercado, atender e entender plenamente as exigências do público consumidor, foram meu maior tesouro.”

Mais de uma década atrás, movido pelo sonho de ter o seu próprio negócio, Sergio teve a determinação de fazer a empresa dar seus primeiros passos. A estrutura era humilde, montada na garagem, mas suficiente para que Sérgio e sua família pudessem fazer as primeiras experiências.

Embora tenha passado a juventude na roça, logo percebeu um talento natural para vendas e acabou trabalhado vários anos como representante comercial de confecções. Mas para crescer sabia que precisaria muito mais que isso! Afinal, ninguém constrói um nome forte como a TERRA DE PEÃO, trabalhando sozinho, sem parceiros, sem foco, sem dedicação ou sem qualidade.

Em uma entrevista informal, Sergio Padovani contou alguns detalhes sobre o início da empresa e as dificuldades enfrentadas nesta última década. Por exemplo a sua falta de experiência no início. “Eu não tinha noção de tecido, de mão-de-obra e tinha muita teimosia. Mas amando o que faço e com apoio da família, o projeto foi dando certo. Eu nunca imaginei que a Terra de Peão iria tão longe. Para mim é incrível. É um sonho ver hoje a nossa marca vestindo até artistas”, comenta satisfeito.Quis o destino que Sérgio Padovani fosse o protagonista desta biografia, que, entretanto, divide com a família, a esposa Marli e os filhos Débora e Leonardo. Além de outros personagens também importantes na construção da TERRA DE PEÃO.

Para quem acredita em destino, esta é uma história e tanto. Para ele, tudo começou lá no passado, muito antes de nascer, lá pelos idos de 1945, na cidade de Juranda no Paraná. Até o nome da grife tem tudo a ver com a sua história, que começou quando seus avós paternos e maternos imigraram da Itália para o Brasil, após a primeira Guerra Mundial. “Eles vieram para trabalhar nas lavouras de café, eram peões de fazenda”, lembra. Os pais de Sergio constituíram uma família de oito filhos. Ele é o caçula. Cresceu trabalhando na roça, mas sempre sonhava com algo diferente. “Sonhava dormindo e até acordado”, afirma.

O primeiro carro foi um fusquinha 1974 que não tinha um farol

A trajetória daquele jovem começa a ganhar novos contornos a partir do momento em que sua família se muda para Iporã. Foi aqui que Sergio conseguiu seu primeiro emprego na casa veterinária que pertencia a Décio Piffer. Mas queria mesmo era ser viajante! Vender o que fosse possível. Após dois anos ele finalmente compra o seu primeiro carro. Um Fusca 1974 em péssimas condições. “Faltava um farol e não tinha para-choque. O escape e os bancos estavam estragados, na chuva inundava pois o assoalho estava cheio buracos”, comentou dando gargalhadas.

Mas a perseverança foi maior que as dificuldades e, com um pouco de sorte, Sergio começou a mudar sua vida quando conheceu João Venâncio Cunha, hoje já falecido. Foi ele quem o ajudou a conseguir um emprego no atacado que vendia para supermercados. Mas, sem experiência e sem dinheiro, aquilo não podia dar certo mesmo, levando o sonho a se transformar muitas vezes em pesadelo. “A vida, na época, batia sem dó”, brinca ele.

Tudo começou a mudar após o casamento com Marli em 1989. Rapidinho nasceu a primeira filha, Débora. Com a responsabilidade falando mais alto, Sergio resolveu se tornar caminhoneiro. Também foi sacoleiro por uma época. E pouco depois do nascimento do segundo filho, Leonardo, ele finalmente se torna representante no ramo de confecções.

Não era uma vida fácil. Em casa, as despesas aumentavam. Cortavam água, luz, telefone. O viajante estava dando murro em ponta de faca. Tudo que tinha era uma Saveiro azul, cabine dupla, que por vezes, também servia de hotel. Hoje, Padovani fala com orgulho daquele tempo em que dormia em postos de gasolina, assim como fazem os caminhoneiros. “Mas não havia outro jeito!”

Teve uma vez que pensou em largar tudo e imigrar para a Itália. E foi exatamente aí o ponto crucial da virada. Sua esposa Marli, rezou muito. Buscou na fé discernimento e orientação. Afinal, seria muito triste ficar a família dividida entre Brasil e Itália. Então, ao invés de desistir, Sergio pensou em criar seu próprio produto, ter um negócio próprio junto da família. E nada melhor do que algo que já conhecia: roupas. Foi uma decisão acertada!

Numa viagem que fez a Campo Grande, parou em um restaurante à beira da rodovia na cidade de Nova Alvorada do Sul. Durante o almoço dois senhores conversavam em voz alta e Sergio não pôde deixar de ouvir. Um falou para o outro: Não gostei de Camapuã, muito quente e lá só tem peão. O outro perguntou: Então lá é terra de peão? Num guardanapo de papel escreveu o nome que tanto procurava. As oportunidades, muitas vezes, estão ao alcance da mão. Desde aquele dia, aprendeu a enxergá-las melhor. Pouco tempo depois, nascia a marca TERRA DE PEÃO.

Em Nova York, visitando potenciais clientes.

Em pouco mais de doze anos, a empresa, instalada em prédio próprio, já tem seus produtos vendidos para milhares de clientes dentre as melhores lojas do Brasil, além de uma clientela nos Estados Unidos. Com um leque eclético de produtos, a TERRA DE PEÃO é uma empresa que investiu cedo em modernização. Desde a produção das primeiras camisas, as tendências de cores, padrão, cortes e modelos mudaram. Tudo isto acompanhado pela evolução tecnológica que deu aos tecidos uma qualidade superior. Padovani afirma que dentre a produção atual, destacam-se as calças Jeans no estilo country tradicional de puro algodão ou lycra, a Camisaria com estampas exclusivas e as Camisas Polo com várias cores e composições.

Padovani durante palestra em parceria com o SEBRAE

Nesta entrevista com o empresário, ficou bem claro a importância da participação do SEBRAE, desde 2009, no desenvolvimento do negócio. Uma parceria que deu tão certo que atualmente Sergio Pandovani é convidado a dar palestras relatando seu caso de sucesso. Nas palestras, sempre faz questão de reafirmar: “O sucesso não tem segredo… Acredito que ser humilde já é o primeiro passo para manter o foco no trabalho e transmitir credibilidade. Outra questão é não trabalhar só pelo dinheiro… Você tem de gostar do do que faz”.

Os cantores sertanejos Teodoro e Sampaio são patrocinados pela Terra de Peão

Atualmente a TERRA DE PEÃO patrocina vários artistas famosos. Dentre eles estão os cantores Teodoro e Sampaio, Gino & Geno e Bruna Viola, além de uma importante parceria com Kléber Oliveira da TV Aparecida.

Sempre antenado no que acontece pelo mundo, Sergio gosta muito de viajar. Já esteve duas vezes nas feiras de Canton na China, além de uma no Peru. Também viajou algumas vezes para os Estados Unidos, onde visitou Nova York, Las Vegas e cidades do interior do Texas, berço e inspiração da moda country no mundo.

A viagem para a China foi marcante na trajetória de crescimento da empresa

Perguntamos a Sergio qual seria sua mensagem àquelas pessoas que sonham em ter seu próprio negócio. “Ao olharmos para trás, aprendemos com o passado. E aprendemos, sobretudo, a valorizar nossa família, nossos parceiros de negócio, clientes, consumidores e, especialmente, nossos colaboradores. Pois como disse o poeta: Quando um sonho é sonhado sozinho, dificilmente ele se tornará realidade, mas quando seu sonho é compartilhado com outras pessoas, ele certamente será realizado”, afirmou.

Um fato marcante que aconteceu antes de encerrarmos a entrevista com Sérgio Padovani, foi o momento em que falou da importância da sua esposa Marli no triunfo da Terra de Peão. Reafirmou que sem ela, todo o sucesso que desfrutam agora não teria existido. “Ela é a sustentação da nossa família. Minha esposa é altruísta e generosa, fica sempre na retaguarda mantendo as bases firmes como uma rocha. Muitas vezes abriu mão das viajem de negócio em favor de mim e dos nossos filhos. Afinal, alguém tinha que ficar cuidando de tudo! Reconheço que sem ela, nada funcionaria tão bem. Eu só posso lhe agradecer por ser a principal figura na concretização dos nossos sonhos.”, finalizou emocionado.

Sergio, Débora e Leonardo foram a Las Vegas em uma viagem para pesquisa de moda Country junto com a equipe da RenauxView de SC

 

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